Vim para o Acre viver uma experiência de voluntariado com o Instituto de Proteção, Preservação e Resguardo SOS Ayahuasca, e hoje vim contar um pouco sobre minha passagem pela aldeia Maê Bena. Foi uma experiência que dificilmente poderia ser descrita por palavras, mas aqui estou, tentando expressar um pouco do aprendizado e da resistência que tive contato nesse período de um mês. Aprendi que no Hãtxa Kuĩ, lingua nativa do povo Huni Kuĩ, Yusinã significa Professor. Agradeço imensamente aos meus professores: Dasu, Ninawa, e também aos pajés Birê, Muru e Ayani. Nos estudos com as medicinas ancestrais, o povo Huni Kuĩ propõe um conhecimento que não se constrói pela teoria, mas a partir do Yuda (corpo inteiro) e pelo contato com os espíritos (Yuxin). "Abrir os portais dos mistérios da natureza", como me disse Dasu. Agradeço pela oportunidade de ouvir os cantos sagrados, os Huni Meka, e também pela melhor farofa de banana da minha vida, comida tradicional que também é cura, como me ensinou Ayani. Agradeço também pelas caminhadas na floresta, banhos de igarapé e pelas caçadas, que provavelmente mais atrapalhei do que ajudei. Agradeço à liderança Maná e sua família, por todo o apoio ao longo dos dias de reunião e elaboração de projeto, incluindo os largos copos de açaí, uma das principais produções da aldeia. Por fim, agradeço às crianças, mestras supremas que me trazem esperança, constantemente revelando novas formas de ver e viver. Firmo essa aliança e sigo nas andanças. Haux!